Às vezes me desentendo comigo,
esqueço meu nome,
evito meu reflexo no espelho
e finjo que as lembranças que carrego pertencem a outrem.
Nesses momentos me sinto só,
mas rejeito essa solidão que não pode ser minha.
Não foi esse o planejado.
Então eu resisto e insisto na briga com essa que sou eu,
mas que não é quem eu escrevi e sonhei há tempos atrás
quando eu ainda sabia inventar e sonhar.
Que tantos anos foram esses
se eu ainda pertenço a uma história não finda?
Quem cometeu aqueles erros?
Não pode ter sido a pessoa que sou.
Como tais escolhas encontraram conforto
nessa mesma cabeça de pensamentos desordenados?
Há de ser uma outra alma
e é com ela que não consigo lidar.
Pior que viver entre as contradições do mundo
só mesmo amar e morar nesse peito que foi um,
que hoje é outro
e que amanhã,
quem saberá?

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